|
Independence Days Os povos primitivos, antes do neolítico, não comemoravam o dia da independência! Em geral, suaas guerras eram que travavam eram de extermínio. Uma sociedade, mais ou menos organizada para as dimensões da época, na sua odisséia nômade, ao encontrar um outro grupo organizado, deparava-se com duas hipóteses possíveis: dizimá-laar ou ser dizimada. A possibilidade de escravizar o vencido e explorar o seu trabalho só aparece, quando, após a revolução neolítica. Nesses caso, o vencedor, que havia deixado o seu território para invadir o do inimigo, depois de pilhá-lo, regressava com riquezas (que podiam ser alimentos, utensílios de uso doméstico etc.etc) e com a força de trabalho para os serviços mais pesados, dentro da divisão do trabalho que se complexificava. Ao longo dos milênios, foi mais ou menos assim que aconteceu!. Quando a humanidade ingressou na era moderna, a afirmação do capitalismo reinventou a escravidão em larga escala, com a finalidade de reproduzir ampliadamente ampliadamente o capital dos proprietários dos meios de produção. Assim, milhões de negros africanos, com culturas distintas da do homem europeu ocidental, foram transladados para as Américas, não para serem cristianizados, mas para promoverem o desenvolvimento capitalista, seja para benefício de católicos ou de protestantes. NesseDurante todo esse processo milenar, que viu a formação de algumas nações pioneiras, às vezes "o dia era também da caça". E aquele povo que se achava dominado festejava o dia da libertação, o dia da independência.! Às vezes, esse dia significava, sobretudo, o dia em que os privilegiados dominantesdominates tinham sidoforam destronados, foram postos abaixo. Este é o caso do 14 de Julho francês, do Fevereiro de 1917 russo ou do Maio de 1936 espanhol. Seguramente, quando, em 1945, em muitas regiões da Europa, a população se identificou com os eExércitos aAliados que fizeram prisioneiros ou fizeram bater em retirada os nazi-fascistas, ela o fez experimentando o sentimento do "dia da caça". Ironicamente, esse foi o sentimento experimentado pelos camponeses da Ucrânia, quando os nazistas invadiram a URSS.! Estes foram recebidos como libertadores. Pouco tempo depois, os ucranianos experimentaram esse mesmo sentimento em relação ao Exército Vermelho, quando este os liberta-ous dos nazistas.. O dia da independência é, assim, o dia da liberdade reencontrada. Mas esstes sempre foramsão processos em que o povo sofreu mais do que tevem consciência, mesmo sendo o principal motor dae sua própria auto-libertação. Um tal fenômeno contraditório tem como corlorlário o fato de que os que se auto-libertamdos têm, na história da humanidade, dificuldades de se assumirem enquanto autotalibertados. Eles precisam de condutores, de fürers, de czares, de reis e de rainhas, eles precisam de pais. Os soldados do Exército Vermelho, por exemplo, eram filhos diretos do povo, e até mesmo o General Zhukov que os dirigiu. A conseqüênciaconsequência é que os dominantes, que ao longo dos milênios organizaram uma a "escola daeos políticaos", aproveitam-se de tal fragilidade. zeram exatamente por isto. Os dominadores vão cobrar o preço da liberdade..., invertendo ideologicamente o lugar dos agentes da história. Os soldados do Exército Vermelho eram filhos diretos do povo, e mesmo o General Zhukov que os dirigiu. E se os seus líderes do povo se arvoram enquanto libertadores, os líderes dos dominanteseles vão cobrar o preço dessa libertaçãoreivindicação. Liberdade e independência passam a ser chantageadas por gregos e troianos. Para que haja poder e, dominação é preciso que existam aqueles que são profissionais nessa arte de dominar, é preciso que haja a ameaça da perda da liberdade para que os "libertadores profprofiissionais" se achem legitimados. A Ssegunda gGuerra mMundial não se acabou em com Yalta oue Postdam , mas com o início da "Terceira Guerra Mundial" que se concretizou com o lançamento das bBombas aAtômicas em Hiroxima e Nagaszaki. Todas as guerras modernas foram promovidas como se fossem a última, como bem observou Marc Ferro a propósito da Primeira Guerra. Lembre-se também dos diálogos de Truman com um dos seus assessores acerca da conveniência de se utilizar ou não a bomba atômica contra os japoneses, conversação estsa reproduzida no filme homônimo que é bem a ilustração do caráter presentista dos filmes e de como a história pode ser contada pelos vencedores: o argumento utilizado por Truman, no filme, tal qual o foi na realidade, fundamentou-se na necessidade da paz imediata.. A Guerra Fria só poderia começar com uma "guerra bem quente", deixando presente a ameaça de uma guerra ainda mais devastadora. É verdade, a humanidade ainda não viveu uma "Terceira Guerra". Em parte, com certeza, porque ela não somente seria mundial, como também exterminadora da espécie "des/humanizada". Mas a pior das guerras é provavelmente aquela vivida em tempos de paz, sobretudo quando suas leis são dominadas pelo "neoliberalismo pós-moderno". Nesta "guerra-paciífistca", (todas as guerras sempre foram promovidas por um dos contendores dizendo-se que seria a última, como bem observou Marc Ferro a propósito da Primeira Guerra ) que não somente mutila corpos, destróioi cidades, dizima milhões de indivíduos, mas sobretudo as suas mentes, massificando-os, tornando-os Zés-Ninguém, como diagnosticados por Reich,, seguidores do Bigbrother, como prognosticados por Orwell em 1984 , já não existe nenhuma pátria a ser defendida, pois o planeta terra é um Capital Globalizado. A pedra-de-toque da Guerra Fria sempre foi a necessidade da dominação a Leste e a Oeste, que chantageou, o tempo todo, os dominados com a ameaça , de um lado do perigo vermelho, de um lado, e do outro do imperialismo iyanque, do outro. Hoje, após a desagregação das burocracias e a sua transmutação em novas burguesias, onde se iriam buscar motivos fortes para se manter a produção industrial de armamentos em níveis tão elevados como antes da Queda? É verdade que ainda estamos longe de um cenário semelhante ao promovido por Lang em Metrópolis, em queonde os homens são representados por rebanhos de animais. Mas não podemos dizer que uma guerra surda e ideológica não exista. Pelo menos é estsa a sensação que experimentamos ao assistirmos Independence days.. É curioso se verificar a reação do público que, não raro, aplaude de pé quando os "super-homens-heróois", a serviço da nação americana e sob o comando do jovem presidente dos Estados Unidos (que, diga-se de passagem, muito se parece com Clinton), conseguem romper o cerco do exército de invasores extra-terrestres, apesar da superioridade tecnológica destes últimos que ameaçam o planeta Terra. Independence days tem todos os ingredientes de um discurso massificador transmitido por uma película cinematográfica: suspense do começo ao fim, ações espetaculares, melodramas particulares (morte da esposa do presidente da República, por exemplo), histórias de amor (do novo gênero "Romeu e Julieta da pós-modernidade") e uma utilização altamente competente dos recursos possibilitados pelo computador na produção de efeitos que nos fazem sentir como partícipes do processo da nova versão da guerra entre terráquios e extra-terrestres. Neste caso, não é a ficção que se torna realidade como em A Rosa Púrpura do Cairo.. Somos nós que ingressamos de "bom" grado numa realidade virtual que, sem dúvida, é muito simplória e mesmo maniqueísta. Se a Igreja não se manifesta como uma força social explícita, com certeza Deus está do lado dos terráquios pois esta é a única forma de se explicar a conjugação de elementos que promovem a vitória das forças do bem, que desta vez não estão no céu e sim na Terra. É bem provável que o historiador tenha pouco a dizer desse filme, a não ser sobre a forma como no presente a indústria cinematográfica continua exercendo o seu papel de produtora de ideologias neste caso específico, não especialmente sobre o passado, como em Trumam, nem mesmo sobre o presente, mas sobre o futuro e manipulando as mentes de milhões, bilhões de indivíduos em todo o planeta, pela mesma via que continua a fabricar dinheiro a partir das necessidades subjetivas dos homens deste fim de século. Ao historiador não caberia formular nenhuma conclusão que ligasse imediatamente esta produção cinematográfica ao fim do "perigo vermelho" e à necessidade de se manter a população mundial temerosa e, ao mesmo tempo, necessitada de proteção. Mas a tentação é muito grande e, por analogia, poderíamos pensar no período imediatamente anterior à Primeira Grande Guerra, quando a sua necessidade é promovida por diversos Estados com a finalidade de manter a continuidade das formas de poder então vigentes. Quando os ideais revolucionários do século XVIII e XIX do liberalismo democrático não podiam ter mais conseqüência nas condições do capitalismo imperialista do início do século XX, a "guerra emancipadora" ocupou o lugar dos antigos valores. Hoje, o Muro de Berlim não existe mais, para a felicidade de todos! Nem todos! Que pena para os dominantes! É preciso se criar novos valores que, por sua vez, necessitam de anti-valores que se eincarnem em algum perigo global. Assim, é mais que provável que toda semelhança entre a virtualidade de Independence days e a realidade pós-Guerra Fria não seja fruto do simples acaso, mais da necessidade dos que têm dirigido a história dos terráquios.. |
| [e-mail] |