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Olho da História No. 4 Página Principal

 

Perfil: Marc Ferro

por Cristiane Nova

 

Principais obras:

Textos: A história vigiada. São Paulo: Martins Fontes, 1988. u Cinema e história. Rio de janeiro: Paz e Terra, 1992. u Cinquante idées qui ébranlent le monde. Dctionnaire de la glasnost (com Yuri Afanassiev). Paris: Payot, 1989. u Comment on raconte l’histoire aux enfants à travers le monde entier. Paris: Payot, 1986. u Des Soviets au communisme bureaucratique. Paris: Galimmard, 1980. u Film et histoire (obra coletiva). Paris: EHESS, 1985. u Historia da colonização: das conquistas à independência (século XIII e XX). São Paulo: Companhia das Letras, 1996. u História II Guerra Mundial. São Paulo: Ática, 1996. u La Grande Guerre (1914-1918). Paris: Gallimard, 1990. u La Révolution Russe de 1917. Paris: Fammarion, 1967. u Les origines de la Perestroïka. Paris: Ramsay, 1990. u L’information en uniforme. Paris: Ramsay, 1991. u Nicolau II: o último czar. Liboa: Edições 70, 1990. u O filme: uma contra-análise da sociedade?. In: LE GOFF, J., NORA, P. (Dir.). História: novos objetos. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves, 1976. 3v. u O Ocidente diante da Revolução Russa. São Paulo: Brasiliense, 1984. u Pétain. Paris: Fayard, 1987. u Révoltes, Révolutions, Cinéma. (co-autoria com Christian Delage e Beatrice Fleury-Vilatte). Paris: ECP, 1989. u Suez. Bruzelas: Complexe, 1981.

 

Filmes: La Grande Guerre. 35 mm, 150 min., 1964. u Lénine par Lénine. 35 mm, 39 mun., 1970. u Une histoire de la médecine (com J-P Aron). 52 min., 1980.

 

Nascido em 1924, Marc Ferro logo demonstrou seu interesse pela História. No início da carreira, teve muitas dificuldades para se inserir no universo acadêmico fechado francês. Mas foi auxiliado pelo historiador Fernand Braudel, que soube reconhecer seus talentos. Como acadêmico, foi co-diretor da revista Les Annales (Économies, Sociétés, Civilisations), ensinou na l’École polytechnique, foi diretor de estudos na IMSECO (Institut du Monde Soviétique et de l’Europe Central e Oriental), membro do Comitê de redação do Cahiers du monde russe et soviétique e professor visitante nos EUA, Canadá, Rússia e Brasil. Sua estadia na Argélia, em pleno fervor revolucionário, também não pode ser esquecida. De volta a França, ajudou a organizar comitês de solidariedade aos argelinos.

Há sete anos, desenvolve um programa semanal de televisão, em horário nobre, na emissora francesa FR3, aos sábados, chamado "História paralela". Nesse programa, Ferro compara, discute e analisa fenômenos importantes do século XX, assim como emite suas interpretações, através de películas, imagens televisivas, depoimentos, entrevistas, etc. Sua permanência e sua audiência crescentes comprovam que se trata de uma realização de qualidade e que supre uma lacuna nos meios televisivos franceses.

No mundo acadêmico, Ferro é mais conhecido por ter sido o pioneiro, no universo historiográfico, a teorizar e aplicar o estudo da chamada relação cinema-história. O início desta caminhada foi marcada pela publicação de um artigo chamado "O filme: uma contra-análise da sociedade", na obra coletiva Faire de l’histoire, dirigida por Jacques Le Goff e Pierre Nora. Desde então, escreveu livros sobre o tema, desenvolveu inúmeras pesquisas utilizando o filme como fonte de estudo e realizou alguns filmes.

Escreveu importantes obras também sobre assuntos diversos da história do século XX, além da incursão em áreas mais distantes, como a história da medicina e a história da colonização, demonstrando sua inquietude e curiosidade intelectuais, distantes das camisas de força de qualquer especialização.

Recentemente (out. 1996), esteve no Brasil (Salvador-BA), participando de um simpósio internacional (A Guerra de Espanha e a relação cinema-história), organizado pela Oficina Cinema-História (UFBA).

A obra de Marc Ferro e a contribuição que ela traz para o domínio da história permite-nos considerá-lo como um dos grandes historiadores da atualidade.

 

Crisitiane Nova (Chefe de Redação).

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