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Sindicalismo de massa e anarquismo na Espanha do século XX George Esenwein
A sublevação militar espanhola, de junho de 1936, desencadeou uma revolução popular de massa que se expandiu, de forma espontânea, a largos setores do país. Durante a sua fase inicial, ela se distinguiu de todas as outras revoluções do século XX, não somente por sua amplitude, mas também pela extensão das transformações que ela produziu na topografia econômica e política da zona republicana. À medida que a revolução se desenvolvia nas cidades e no campo, ficou cada vez mais claro que, apesar de ser sustentada pelo entusiasmo popular, ela estava essencialmente animada e dirigida pelos anarco-sindicalistas representados pela Confederação Nacional do Trabalho (CNT) e pela Federação Anarquista Ibérica (FAI). A rapidez com que os anarco-sindicalistas deram início à restruturação da sociedade sugere que sua doutrina fincava profundas raízes na Espanha. O objeto do presente ensaio é determinar como, precisamente, os anarco-sindicalistas vieram a exercer uma tal influência às vésperas da Guerra Civil, sobretudo na classe operária. Ainda que o anarquismo tenha sido introduzido na Espanha durante o primeiro quarto do século XIX, não foi antes da Primeira Guerra Mundial que ele alcançou as proporções de um movimento de massa. Após um breve estudo do desenvolvimento ideológico do anarquismo até a época da II República, nosso artigo se concentrará nas duas tendências que dominaram o movimento durante os anos 30: os sindicalistas (treintistas ou Grupo dos Trinta) e os ultra-revolucionários da FAI (faistas). O tema desse artigo diz respeito às diferentes maneiras com que os faistas levaram vantagem nessa disputa política. Contrariamente às precedentes interpretações do anarquismo, que buscavam dar uma grande importância aos métodos ditatoriais dos ultra-radicais, nós afirmamos que os faistas estabeleceram sua hegemonia por meio de uma propaganda eficaz do seu programa e da ênfase que eles colocaram sobre a tática, considerada como uma "ginástica revolucionária". Para ilustrar o impacto que eles tiveram sobre as classes operárias durante a II República, nós daremos, na última parte, breves relatos das diversas insurreições faistas, em conexão com a mudança das condições políticas durante o "bienio negro"1 de novembro de 1933 a fevereiro de 1936. A herança anarquista Não obstante a opinião persistente largamente difundida pelos historiadores liberais e marxistas de que o anarquismo espanhol permanecera virtualmente o mesmo desde seu início, em 1869, até a Guerra Civil, o fato é que, com o passar dos anos, a doutrina conheceu significativas transformações. O anarquismo, tal como foi pela primeira vez formulado na Espanha, era uma mistura de federalismo proudhoniano e de coletivismo bakuniano. Fundado tanto nos princípios do Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT) quanto nos artigos da fraternidade secreta de Bakunin, a Aliança da Democracia Social, o movimento anarquista espanhol foi lançado durante as tumultuadas jornadas da Gloriosa Revolução em 1868. Trabalhando secretamente por meio da Aliança, sociedade secreta segundo o modelo da fraternidade de Bakunin, os discípulos de Bakunin tornaram-se a força que controlava e dirigia a seção espanhola da I Internacional, a Federação Regional Espanhola (FRE). Desde seu início, em 1870, a FRE baseava-se em uma estrutura de sindicatos de profissionais (officio). Seus líderes organizaram a federação conforme os princípios anarquistas, tomando precauções para que nela não existisse hierarquia e para que o poder viesse da base para a cúpula. Dessa forma, cada sindicato de profissionais a unidade de base da FRE não era obrigada a seguir nenhuma decisão tomada em nível nacional ou regional. A flexibilidade da FRE tinha também a vantagem de permitir que ela se retraísse ou se expandisse, conforme as circunstâncias. Por exemplo, quando a FRE foi obrigada a viver na clandestinidade durante sete anos, seu efetivo caiu bruscamente de trinta mil militantes em 1874 para menos de três mil em 1881. Mas no fim de 1882, a FRE que passou a se chamar Federação dos Trabalhadores da Região Espanhola (FTRE), compreendendo 218 federações e 663 seções, contava com um efetivo de mais de 57 mil integrantes2. Durante as décadas de 1880 e 1890, o movimento anarquista atravessou uma de suas fases mais violentas e sofreu, conseqüentemente, sérias perdas. Um ciclo de atentados a bomba, de assassinatos e de atos de violência, conhecido como propaganda pelo fato, levou as autoridades espanholas a deslanchar uma campanha implacável de perseguição contra os anarquistas e contra qualquer um que se identificasse com sua causa. Durante esse período, o próprio movimento anarquista foi paralisado por discussões doutrinais incessantes e, freqüentemente, acirradas. A partir de 1878, surgiu uma tendência militante que começou a colocar em questão o objetivo da FRE de organizar sindicatos operários. Tal grupo explicava que a revolução se faria não por uma organização sindical de massa, mas destruindo a fábrica da sociedade burguesa, por meio da propaganda pelo fato. Quando a teoria do comunismo anarquista uma variante da doutrina anarquista derivada dos escritos de Piorr Kropotkine, Errico Malatesta e Elisée Reclus, e que não se apoiava sobre os sindicatos penetrou finalmente na Espanha, nos primeiros anos de 1880, a FRE dividiu-se em vários grupos teóricos rivais. Havia, de um lado, os comunistas de tendência militante, anti-sindicais, e, do outro, os coletivistas. Os comunistas alcançaram uma vitória decisiva no Congresso de Valência em 1888, quando foram decididas a dissolução da FTRE e a organização de células anarquistas federais menos ousadas, conhecidas mais tarde com o nome de grupos de afinidade. O comunismo anarquista conservou a hegemonia até a virada do século. Em seguida, em vez de ser abandonada, fundiu-se com as idéias sindicalistas revolucionárias recém-importadas da França (Fernand Pelloutier e Emile Pouget) e da Itália (Arturo Labriola)3. O produto final de tal casamento de idéias foi a doutrina do anarco-sindicalismo tal qual ela foi conhecida e praticada na Espanha no século XX. Segundo a nova teoria, seria necessário manter a violência na estratégia revolucionária. Esta, entretanto, deveria ser praticada essencialmente pelos sindicatos sob a forma de greves gerais, de sabotagens e de ações similares. O anarco-sindicalismo foi oficialmente inaugurado com a formação da CNT em 1910. Seu crescimento inicial foi lento. Mas com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, seus efetivos aumentaram bastante, passando de quinze mil integrantes em 1915 para mais de 700 mil em fins de 1919. Ainda que esse crescimento espetacular fosse incontestavelmente um resultado de circunstâncias sociais e econômicas provocadas pela Guerra a alta de preços e a baixa de salários, por exemplo o verdadeiro sucesso da CNT reside na sua fórmula sindical e nos brilhantes esforços de organização de homens como Salvador Seguí e Angel Pestana. Os problemas estruturais colocados com o rápido desenvolvimento da CNT foram, em parte, resolvidos na conferência regional catalã, ocorrida em Sans, em 1918. O congresso decidiu pelo abandono da forma de organização dos operários por profissão e pela adoção de uma forma de sindicalismo de indústria. Os operários deviam estar agrupados em grandes sindicatos (sindicatos únicos) que agrupavam todos os operários de um certa indústria. Uma federação local compreendia então diversos sindicatos únicos da cidade a que pertencessem; várias federações locais estavam reagrupadas em nível distrital (comarcal) e, finalmente, as federações distritais estavam ligadas a uma federação regional, como a federação regional catalã ou andaluza, por exemplo. Estes dois tipos de modificações permitiam não somente à CNT alargar sua base industrial, mas conservavam também a característica federalista de seu movimento sindical. Num congresso nacional da CNT, realizado em Madri, em 1919, a idéia de sindicato único foi formalmente adotada, permanecendo como um traço da organização até a Guerra Civil4. Paralelamente a essas mudanças estruturais, os membros da CNT se radicalizavam cada vez mais. A introdução do sindicato único pode ter contribuído para esse processo. Segundo o historiador Joaquim Romero-Maura, o fato de todos os operários de uma indústria estarem dentro de um mesmo sindicato deu a possibilidade ao grupo mais numeroso e habitualmente mais militante dos operários não qualificados de impor seus pontos de vista à aristocracia operária. Em todo o caso, os sentimentos revolucionários dos operários se afirmavam desde 1917. A Revolução Bolchevique provocou uma profunda impressão na esquerda espanhola em geral, inspirando mais especificamente os jovens militantes da CNT. Levados pelo exemplo russo, grupos de ação como Los Solidarios e aqueles chamados de anarco-bolcheviques, dirigidos por Manuel Buenacasa, pareciam quase prontos a aceitar todos os aspectos do modelo bolchevique de revolução, até a idéia da ditadura do proletariado. Seus esforços para imitar os bolcheviques os fizeram entrar em conflito com os dirigentes sindicalistas, provocando numerosas e calorosas discussões no que diz respeito à orientação que o movimento deveria tomar. A influência anarco-bolchevique culminou no congresso de Madri, em 1919. Graças a Buenacasa e aos militantes fracionários, a maior parte das proposições sindicais, como a criação de federações nacionais de indústrias e o plano de Seguí de fundir as rivais CNT e União Geral dos Trabalhadores (UGT) foram recusadas. A ação desses militantes foi coroada ao fim do congresso, quando a maioria dos cenetistas aclamou sua adesão provisória ao Comintern5. Entre 1919 e 1923, sindicalistas dirigentes lutaram, inutilmente, para controlar os elementos extremistas do movimento. Mas dentro daquele contexto greves gerais, lock-outs, desenvolvimento de sindicatos amarelos (sindicatos libres) e, sobretudo, guerras de gangs, conhecidas como "pistoleirismo" havia pouca esperança da CNT adotar uma posição moderada. De certa forma, o assassinato de Salvador Seguí talvez o mais dotado de todos os organizadores anarquistas na Espanha , em março de 1923, simbolizou a posição dos anarquistas ao fim desta fase histórica do desenvolvimento anarco-sindicalista. A instauração da ditadura militar de Miguel Primo de Rivera (1923-30) colocou rapidamente um termo final à era da violência operária. Nos anos subseqüentes, a CNT, obrigada nesse momento a agir clandestinamente, praticamente desapareceu e não ressuscitou antes de sua saída da clandestinidade, em 1931. O sectarismo continuou devastando a CNT, mas, desta vez, por meio dos debates, nos quais cristalizavam-se duas tendências opostas, que iriam dominar o curso do movimento nos anos 30. Pode-se chamar sumariamente a primeira de ala sindicalista. Já se viu como os sindicalistas adquiriram a preeminência após a formação da CNT, em 1910. Em 1924, eram o mais importante grupo no interior do movimento anarco-sindicalista. Salvo algumas exceções, os sindicalistas eram um grupo homogêneo de anarquistas que, como os coletivistas dos anos 1880 e 1890, consideravam a revolução um objetivo longínquo das classes operárias. Não podemos, por falta de espaço, discutir em detalhe sua estratégia revolucionária: basta dizer que o sindicato era o pivô de seu programa. Por um lado, os sindicatos eram considerados como o fundamento, no interior do plano dos sindicalistas, para erigir uma sociedade anarquista ao lado da ordem burguesa existente. O sindicato era, portanto, considerado como o eixo em torno do qual circulava toda a vida operária. Por intermédio dos clubes operários, dos ateneos libertários (geralmente o local reservado à dança ou à sala de recreação que funcionava também como biblioteca e escola) e de outras organizações patrocinadas pelos sindicatos, a CNT pôde não somente exercer sua hegemonia sobre o cotidiano social e econômico do operário, mas ainda isolá-lo das más influências das instituições burguesas. Por outro lado, o sindicato era considerado como o único instrumento para fazer-se a guerra de classes. As greves, sabotagens e outras armas sindicais deveriam ser utilizadas na luta cotidiana para melhorar as condições do trabalhador, ao passo que a greve geral deveria ser reservada às ocasiões nas quais a revolução social parecesse iminente. Uma vez que a CNT fosse estabelecida em toda a Espanha e parecesse capaz de sustentar ela mesma sua própria sociedade operária, acreditava-se que restaria apenas chamar a greve geral para que a sociedade burguesa fosse facilmente aniquilada. Durante a ditadura de Primo de Rivera, os sindicatos sofreram uma série de golpes dos quais eles nunca se recuperaram totalmente. A partir de 1925, a direção de Pestana na CNT foi cada vez mais contestada por um grande número de extremistas. Esse grupo estava muito descontente, em particular, com as tentativas de Pestana de eliminar da CNT os grupos de ação dominados pelos anarquistas. A formação dos Comités Paritarios (órgãos de arbitragem sob controle governamental), em 1926, deu grande força ao conflito. Isto porque Pestana defendia, nesse momento, uma linha conciliatória de ação, que, entre outras, previa a cooperação da CNT com tais organizações. Desta vez, sua virada à direita era inaceitável não somente para os radicais mas também para seus antigos aliados, a exemplo de Juan Peiró e de outros membros eminentes da ala sindicalista. A discussão entre Pestana e seus partidários de um lado e o grupo de Peiró do outro acabou quebrando o bloco de poder sindicalista na CNT. Ainda que suas divergências fossem posteriormente superadas, eles não conseguiram mais reconquistar a posição preponderante da qual haviam se beneficiado outrora. Em resposta tanto à política de Pestana quanto à deterioração da força da CNT sob o poder de repressão de Primo, surgia nessa época o que se poderia chamar de tendência FAI os supostamente anarquistas puros que se autodescreviam como os guardiães da doutrina anarquista. Esta tendência era formada por militantes anarco-sindicalistas que se dividiam em duas categorias. Uma delas era exatamente a FAI. Ela nasceu em julho de 19276, fundada por dissidentes ultra-radicais da CNT, inexoravelmente opostos aos membros reformistas da ala sindicalista e por quadros de imigrantes anarquistas portugueses (daí seu nome peninsular). A FAI, em muitos aspectos, era uma reincarnação da Aliança secreta de Bakunin: deveria funcionar clandestinamente com o propósito expresso de preservar o espírito revolucionário e a característica anarquista da CNT. Ela diferia de seus predecessores do século XIX na ênfase que colocava na formação de uma coligação, uma ligação orgânica com os sindicatos anarquistas. A FAI deveria ser organizada segundo as mesmas linhas da CNT; os membros de uma localidade estariam agrupados em federações locais e distritais; os últimos estariam ligados a um comitê regional e todos os comitês convergiriam para um comitê peninsular. Para se proteger dos agentes provocadores e dos elementos anti-revolucionários, o núcleo da FAI, lagrupación (conhecido anteriormente como um grupo de afinidade), deveria agrupar entre cinco e dez membros. O segundo grupo no interior da tendência da FAI compreendia uma combinação de cenetistas radicais que simpatizavam com a política da FAI e, ainda que não filiados a ela, eram estigmatizados como faistas pelos seus adversários. Os mais conhecidos eram os Montseny dinastia anarquista muito conhecida, formada por Juan (Federico Urales), Soledad Gustavo (Teresa Mané) e sua filha Federica, que estava tão intimamente identificada com os elementos radicais do movimento anarquista durante os anos trinta, a ponto de ganhar, em 1932, o apelido de Miss FAI, ainda que só tivesse aderido a esta em julho de 19367. Tendências rivais: Quando a CNT emergiu da clandestinidade, em 1930, a FAI era um organismo relativamente desconhecido, com pouca influência na classe operária. No III Congresso Nacional da CNT, em Madri, em junho de 1931, a FAI participou, pela primeira vez, de um debate público com seus rivais sindicalistas. No entanto, nesse congresso, que se revelou pró-sindicalista, o discurso ultra-revolucionário da FAI se mostrou impopular. Mais tarde, durante o verão, uma virada dramática dos acontecimentos provocou o rápido desenvolvimento da força e da influência da FAI. A partir desse momento, a FAI pôde desempenhar uma função decisiva no destino do movimento anarco-sindicalista. A partir de julho, houve uma série de greves muito importantes que abalaram a República recém-estabelecida. À medida que o movimento ganhava importância, nos meses seguintes, ficou cada vez mais claro que as próprias greves escapavam a todo tipo de controle: a derrota de uma greve suscitava muitas outras, de simpatia. Como a União Geral dos Trabalhadores (UGT), socialista, não estava envolvida neste movimento, as autoridades decidiram perseguir a CNT. Os dirigentes sindicalistas adotaram, então, uma postura defensiva, censurando a FAI pelo prolongamento do ciclo caótico de greves. Na imprensa da CNT, eles reclamavam a suspensão do movimento de greve, afirmando que a sua continuidade incitaria o governo a levar adiante a repressão. Por outro lado, a interpretação faista dos acontecimentos mostrava uma compreensão diferente da natureza da revolução. Para eles, as greves significavam um movimento revolucionário, que devia ser espontâneo, para derrubar a República. Alejandro Gilabert, dirigente faista, definia assim sua posição:
Como os faistas constituíam uma minoria no movimento anarco-sindicalista, eles enfrentavam o problema de como aplicar sua estratégia, permanecendo em conformidade com seus princípios anti-autoritários. Os críticos da FAI afirmam há muito tempo que esta organização fracassou ao unir a teoria e a prática anarquistas, antes de tudo, porque a FAI havia conquistado a CNT, impondo sua própria ditadura. Ainda que seja verdade que muitos faistas tivessem freqüentemente recorrido a métodos antidemocráticos na sua luta para se afirmar no seio da CNT, a estrutura federalista da FAI não a levava à constituição de uma tal ditadura. Mesmo no topo de seu poder, em 1933, os faistas representavam apenas uma fração no efetivo total da CNT. Portanto, para controlar uma organização que contava, nesta época, centenas de milhares de membros, a FAI necessitaria da estrutura rígida de um partido organizado sob o modelo traçado por Lenin em Que fazer?, um partido revolucionário rigidamente centralizado. Na realidade, o processo pelo qual a FAI estabeleceu sua hegemonia na CNT era mais complicado do que seus críticos sugerem. Como explicou um antigo membro da CNT e crítico da FAI, os faistas ganhavam um sindicato a suas posições, não se apoderando dele da forma blanquista, mas trabalhando nele enquanto unidade. Por conseqüência, as proposições pró-FAI tinham mais chances de serem adotadas pelo sindicato porque os faistas votavam sempre em bloco. A FAI exercia ainda uma considerável influência por meio dos Comitês de Defesa e dos Comitês pró-Presos9. Os últimos, sobretudo, eram úteis para promover a imagem da FAI. Dedicando-se, de todo coração, à causa dos operários presos, faistas como Buenaventura Durruti e Francisco Ascaso não somente guardaram vivo o espírito da revolução durante as épocas de repressão, mas ainda ganharam o respeito e a fidelidade da base. Esse foi também um fator importante na subida da FAI ao poder e no grande sucesso de seu programa de propaganda, graças ao qual ela passou a exercer uma considerável influência na estratégia e na tática da CNT nos anos 30. Para compreender o papel desempenhado pela propaganda da FAI na conversão dos operários a suas perspectivas, é necessário não esquecer que eles exploravam diversos meios para alcançar seus objetivos. Segundo Juan Malina, um dos membros fundadores da FAI e seu secretário de 1930 a 1932, a FAI trabalhava não somente nos sindicatos, mas também nos numerosos ateneos e clubes sociais, como as Juventudes Libertarias e as Mujeres Libres, que faziam parte do rico tecido da vida social nos centros urbanos. Ainda que os ateneos fossem tradicionalmente o principal foco das atividades anarquistas de educação, eles estavam, durante os anos 30, largamente influenciados por grupos de ação extremistas e pelos faistas que trabalhavam na CNT. Fora das grandes cidades, onde a vida associativa não era tão complexa, os ateneos ou centros operários as salas de reunião sindical que serviam ainda como centros culturais eram, na maior parte do tempo, o único lugar onde um operário podia aprender a ler. Como eles estavam geralmente sob a direção da CNT, não é muito surpreendente que a doutrina anarquista tenha se tornado tão popular. Um operário que freqüentava regularmente o ateneu de Fraga (Aragão) explica como ele se tornou anarquista:
De todos os grupos militantes desse período, a FAI foi, sem dúvida, o que melhor conseguiu introduzir suas idéias nos inumeráveis semanários e jornais lidos pelos operários. Isto foi particularmente verdadeiro em 1922, quando Diego Abad de Santillán, eminente teórico anarquista, que havia adquirido experiência como jornalista político escrevendo para o La Protesta em Buenos Aires, passou a utilizar o muito difundido periódico Tierra y Libertad e sua própria revista teórica Tiempos Nuevos para expor a linha faista. Ao mesmo tempo, centenas de folhetos e livros anarquistas eram publicados pelo tipógrafo da FAI. Desta forma, aqueles operários que conheciam a literatura anarquista no ateneo podiam associar a FAI aos folhetos dos Kropotkine, E. Malatesta e Sébastien Faure11. É interessante assinalar que o programa de propaganda da FAI durante os anos 30 não visava tanto educar os operários, mas sim inculcar-lhes o fervor revolucionário. O tipo de formação preparatória que o trabalhador recebia nos ateneos sob a influência da FAI, e que, geralmente, não era nada mais do que divulgação de propaganda, era bem diferente da forma convencional de educação libertária concebida pelos pedagogos libertários. As considerações sobre a educação do eminente pensador anarquista Ricardo Mello, por exemplo, sublinhava, antes de tudo, que a educação propriamente dita de um indivíduo não deveria nem poderia ser simples propaganda12. No entanto, a maior parte dos faistas desse período acreditava que a revolução estava tão ao seu alcance que não havia tempo para desenvolver formalmente o espírito dos operários. Suas razões para abandonar os princípios da educação anarquista clássica foram resumidas por um célebre membro do grupo de ação Nosotros, filiado à FAI, Francisco Ascaso:
De fato, com a intensificação da agitação operária durante os anos 30, a máxima "uma ação igual a mil brochuras" tornou-se corrente na CNT. Não obstante a FAI estivesse levando adiante seu programa de propaganda escrita até a Guerra Civil, o que estava no centro da cena era a campanha para derrubar o governo por meio de greves gerais entrelaçadas a um "ciclo de insurreições". Tática revolucionária: flexão dos músculos operários A FAI começou sua campanha de insurreições com um plano simples. Por tática, ela entendia a ginástica revolucionária, a prática da organização de revoltas sociais. Os faistas esperavam despertar os instintos de rebelião da massa e assim acelerar o seu movimento em direção ao estabelecimento do comunismo libertario. Os principais agentes da ginástica revolucionária, eram as agrupaciones da FAI que deviam fazer agitação revolucionária no interior dos respectivos sindicatos da CNT, ao passo que os Comités de Defensa deviam servir, ao mesmo tempo, de elemento dinâmico e de apoio ao ciclo das revoltas14. A primeira e a mais representativa dessas insurreições se produziu em janeiro de 1932, nos distritos mineiros catalães de Alto Llobregat e Cardona. Ela se iniciou no dia 18, com uma série de sublevações na pequena cidade de Figols (conhecida por seus ricos depósitos de potássio), que tinha sido, pouco antes, a sede de um grande encontro da FAI. Foram oradores desta assembléia Buenaventura Durruti, Pérez Combina e Arturo Parera; juntos, conseguiram estimular os sentimentos anti-republicanos do auditório, sublinhando o fracasso das reformas republicanas e exortando os operários a se armarem e a se sublevarem contra as classes dirigentes. O impacto desta campanha de propaganda pôde ser compreendido alguns dias mais tarde quando um grupo de mulheres arrastou consigo os operários do setor têxtil de Figols, numa greve por salários mais altos e melhores condições de trabalho. Sua ação foi imediatamente apoiada pelos mineiros que, sob a direção de um antigo mineiro asturiano, Manuel Prieto, assumiram logo um papel de liderança na greve e na revolta que a seguiu. Em alguns dias, cidades e vilarejos vizinhos, foi o caso de Manresa, Cardona, Gironella e Sallent, seguiram Figols, declarando greve geral e, a partir daí, o estabelecimento de uma forma de comunismo sem Estado, o comunismo libertario. Em cada cidade, essas sublevações comunais se desenrolaram da mesma forma. Nos anos 30 e durante os primeiros meses da Guerra Civil, esse quadro de ação repetir-se-ia um certo número de vezes. Uma greve era logo vista como sinal de revolta; os operários se apoderavam então da prefeitura (ayuntamiento) local, estendiam a bandeira vermelha e preta da CNT-FAI e celebravam a chegada do comunismo libertario. Em seguida, eles estabeleciam um sistema de comitês operários eleitos pelo povo para administrar os negócios da comuna, recrutavam uma milícia e proclamavam a abolição da moeda e de outras formas do sistema capitalista15. Pouco depois da explosão das agitações em Figols, o governo republicano despachara tropas para as zonas perturbadas. No dia 25, a cidade estava cercada e, portanto, isolada do resto da Catalunha. Apesar de bem armados com fuzis e granadas de mão, decidiram que era inútil engajar-se no combate com as tropas republicanas. O resultado foi a retomada de Figols, sem maiores incidentes, e o fim da breve experiência do comunismo libertario. Como a célebre sublevação de Jerez, quarenta anos antes, a rebelião de Figols entrou rapidamente na lenda anarquista como um exemplo da vontade do povo de fazer nascer a revolução social. Figols foi, na verdade, o signo precursor de numerosas sublevações semelhantes que explodiram na Espanha durante os anos vermelhos, entre 1932 e o início da Guerra Civil. Por causa da função que desempenhou nesse acontecimento, como principal promotor da vaga de insurreições, a FAI adquiriu a reputação de representante irresponsável da classe operária, sobretudo, entre os elementos moderados da CNT, os treintistas. Na verdade, a maior parte das revoltas inspiradas pela FAI foram episódios pobremente orquestrados, que, quase sempre, provocavam sérias represálias governamentais. Não é surpreendente que o efeito disso tudo tenha sido desastroso para a CNT, em particular, e para o movimento operário em geral. Um claro exemplo disso foi o incidente de Casas Viejas, em janeiro de 1933. Assim como muitos dos exercícios de ginástica revolucionária da FAI, o levante de Casas Viejas foi o produto do fracasso de um movimento de greve geral. Nesse caso, a rebelião foi selvagemente reprimida pelo governo: Guardas Civis e de Assalto tomaram o pequeno vilarejo, matando algo como vinte anarco-sindicalistas e camponeses. Logo após esse episódio, as forças governamentais tentaram eliminar todo vestígio de potencial de agitação revolucionária existente, esmagando brutalmente as ramificações locais da CNT. Longe de fazer avançar a causa anarquista na região, o incidente de Casa Viejas, na realidade, destruiu o fundamento organizacional dos operários que a CNT e a FAI tentaram estabelecer para garantir o sucesso de suas greves16. Não obstante os levantes, como o de Casas Vieja, tenham custado um preço muito elevado ao movimento anarco-sindicalista, a FAI soube capitalizar em cima da atmosfera revolucionária que tais acontecimentos suscitavam inevitavelmente. Durante sua impressionante campanha de abstenção eleitoral de 1933 (Não votar!), por exemplo, os faistas exploraram habilmente a vaga de indignação pública e de cólera contra o governo republicano, em decorrência do incidente de Casas Viejas. O fato de que um número significativo de operários talvez próximo de um milhão tivesse boicotado as eleições de novembro confirmou o sucesso da FAI no anseio de um substancial apoio a sua palavra de ordem: Frente a las urnas, la Revolución social!17. No fim de 1933, a FAI havia se tornado a força predominante da CNT. Até aqui, somente uma corrente crítica de cenetistas os treintistas havia oferecido uma vigorosa oposição aos métodos insurrecionais da FAI. Esse grupo havia aparecido no final do turbulento verão de 1931, quando trinta dirigentes sindicalistas, entre os quais Ángel Pestana, Juan López e Juan Peiró, publicaram um manifesto anti-FAI. Em seguida, esse grupo, junto com todos aqueles que criticavam a FAI, foi chamado de treintistas. Desde o início, entretanto, as circunstâncias pareciam conspirar contra seus planos de impedir a CNT de perseguir em sua via ultra-revolucionária. Em outubro de 1933, eles perderam o controle da redação do importante diário Solidaridad Obrera, que passou para as mãos dos extremistas, como o faista Felipe Alaís e Frederica Montseny. No ano seguinte, teve início a saída de milhares de treintistas da CNT, seja por pedidos de demissão ou, como ocorreu mais freqüentemente, por exclusão. Depois de 1932, a maioria dos treintistas que esperavam exercer uma influência, ao menos modesta, sobre a FAI, operando fora da CNT , criaram seus próprios ateneos, difundiram um jornal rival, La Cultura Libertaria, e, em janeiro de 1933, constituíram uma organização sindical que se opunha à CNT, os Sindicatos de Oposición, que em 1936 contava com aproximadamente quarenta mil adeptos. Salvo talvez essa última, nenhuma dessas medidas chegou a ameaçar a posição da FAI na CNT18. Mais ainda, entre 1932 e 1936, a influência treintista ficou confinada a certos distritos industriais catalães (Badalona, Maresa e Sabadell) e a um pequeno território das Astúrias (onde os treintistas trabalhavam na CNT), e a FAI controlava o centro industrial chave de Barcelona e conservava baluartes em toda a Espanha. Em todo caso, o conflito entre faistas e treintistas não fez muito mal à CNT, visto que no congresso de Saragoça, às vésperas da Guerra Civil, as divergências ideológicas entre os dois grupos foram atenuadas a tal ponto que os sindicalistas anteriormente excluídos, como também os Sindicatos de Oposición, foram readmitidos na organização anarco-sindicalista oficial. Nesse meio tempo, a CNT, por meio de sua campanha anti-eleitoral, havia alcançado dois objetivos muito cobiçados: a campanha tinha claramente demonstrado aos adversários da CNT o grau de controle que ela exercia sobre o eleitorado operário; em segundo lugar, ela havia ajudado a colocar no poder os partidos de centro e de direita, fato que a CNT e, sobretudo, a FAI acreditavam ser essencial para desenvolver ao máximo a fermentação dos antagonismos sociais e econômicos na sociedade espanhola. Assim, as eleições gerais de 1933 haviam posto fim aos últimos dois anos de reinado da coalizão republicana-socialista de Manuel Azana e marcado o início dos dois anos do reinado reacionário que a esquerda chamou de bienio negro. Durante esse período, a esquerda inteira sofreu as conseqüências de um regime que procurava, antes de tudo, desmantelar a legislação operária introduzida no primeiro biênio republicano, colocando em xeque a força grandiosa de grupos de esquerda como a CNT e a FAI. Foi nesse contexto de agravamento das tensões de classe que a esquerda avançou rapidamente na direção da adoção de uma estratégia revolucionária que reforçaria sua posição em relação às forças da direita. A aliança operária A idéia de formar a Aliança Operária foi inicialmente lançada por Maurín, um antigo cenetista que se destacou, nos anos 30, como teórico marxista e organizador de partido, fundador do Bloc Obrero Camperol (BOC), em 1931, e co-fundador do Partido Obrero de Unificación Marxista (POUM), em 193519. Depois do sucesso eleitoral da direita em novembro de 1933, Maurín organizou, pela primeira vez, uma aliança de várias organizações catalãs de esquerda, compreendendo grupos como o BOC, a Federación Sindicalista Libertaria, recentemente fundada por Pestana, e a Izquierda Comunista Trotskysta, dirigda por Andreu Nin. Pouco depois, os socialistas, sob a direção de Largo Caballero, apossaram-se da idéia de Maurín e começaram a formar vínculos com outros grupos proletários. Nos últimos dias de fevereiro de 1934, a Alianza Obrera (AO), dirigida pelos socialistas, começou a tomar forma: ela representava quase todos os partidos de esquerda importantes, à exceção do Partido Comunista Espanhol (PCE) e dos setores da CNT dominados pela FAI. Por várias razões, a CNT absteve-se de juntar-se à AO. A principal razão estava na sua longa rivalidade com os socialistas e, também, no ceticismo dos anarco-sindicalistas a respeito da adesão dos socialistas e, sobretudo, de Largo Caballero a uma política revolucionária. Mas, acima de tudo, a CNT temia comprometer-se com uma aliança dominada pelos socialistas. A união da esquerda socialista e marxista sob a bandeira da AO serviu, ao menos momentaneamente, para isolar a CNT e a FAI da corrente principal do movimento revolucionário espanhol. De fato, ficou logo claro que os anarco-sindicalistas não poderiam mais suportar sozinhos um ciclo de insurreições num tal contexto de crescente hostilidade política. Isso foi claramente demostrado, primeiro em dezembro de 1933, quando um movimento de greve nacional organizado pela CNT desmoronou (em grande parte porque não contou com o apoio de outros grupos) e depois em março-abril de 1934, quando foi também abortada uma greve geral deslanchada em Saragoça. A CNT saiu dessas campanhas esgotada e muito mutilada psicologicamente para poder retomar sua função dirigente na vanguarda revolucionária. De fato, a mais importante rebelião operária do bienio negro, a Revolução de Outubro nas Astúrias, foi o resultado não da ginástica revolucionária, mas o produto da Aliança Operária. Nos meses que antecederam a Revolução de Outubro das Astúrias o Outubro Vermelho, como foi também chamada , a esquerda, em geral, e a base socialista, em particular, optaram por uma política de ação direta, em grande parte como meio de se opor à direita. Uma impressionante manifestação de sua combatividade crescente produziu-se em junho, quando o sindicato dos operários agrícolas, a Federación Nacional de Trabajadores de la Tierra (FNTT) dirigiu uma greve geral de protesto contra as medidas anti-operárias que o governo, cada vez mais à direita, tentava aplicar20. Entretanto, a despeito dos protestos desse tipo, os partidos de direita e, em especial, a Confederación Espanola de Derechas Autónomas (CEDA) uma fusão dos partidos católicos de direita dirigido por José Maria Gil Robles e vista pela esquerda como uma organização fascista continuavam a progredir no governo. Em outubro de 1934, o radical Alejandro Lerroux permitiu a entrada no governo de três membros da CEDA e a esquerda reagiu rapidamente para impedir o que ela considerava como o primeiro passo na direção do estabelecimento de um Estado clérico-fascista. Um movimento nacional dirigido pelos socialistas e pela AO foi lançado em Madri, na Catalunha, no País Basco e nas Astúrias. Desde o início, entretanto, as sublevações de Madri e da Catalunha ou estavam mal preparadas ou eram muito esporádicas para ter qualquer conseqüência. Dessa maneira, os operários da região das Astúrias foram os únicos que continuaram combatendo21. Existem várias razões para a adaptação, excepcional, da região asturiana a uma revolta operária de grandes proporções. A mais importante é que os mineiros independentemente de suas filiações ideológicas tinham uma longa tradição militante. Em março de 1934, socialistas, bloquistas e ramificações locais da CNT concluíram um pacto, ao qual o PCE aderiu em setembro, formando uma aliança operária. Em larga medida, foi em virtude desta manifestação de solidariedade que os operários puderam resistir diante de forças superiores. Durante quase duas semanas, eles conseguiram administrar uma comuna operária, defendendo-se contra os ferozes ataques de tropas governamentais e da legião estrangeira, trazidas do Marrocos. Antes de ser finalmente massacrado, o levante das Astúrias, segundo as palavras de Raymond Carr, "alcançou as dimensões de uma guerra civil". Além das perdas (avaliadas entre um e quatro mil mortos) e das destruições provocadas pelos combates, algo em torno de trinta mil operários foram presos em toda a Espanha, como resultado dessa manifestação do potencial revolucionário da classe operária. Da experiência desta comuna nasceu uma frase: "LUnión de los Hermanos Proletarios" (UHP), que exprimia a esperança da classe operária na formação de uma frente única contra seus inimigos de direita. Isso era verdade até entre os faistas da CNT, ainda que, antes de outubro de 1934, eles tivessem recusado participar da Alianza Obrera. Era evidente que os faistas não estavam dispostos a se aliar formalmente a outros grupos. Porém, ao se solidarizar publicamente com a comuna asturiana e fazer referência em suas publicações a esses acontecimentos como exemplos da chamada anarquista à revolução social, os faistas puderam reivindicar a revolta asturiana como obra sua. Dessa forma, apesar de a CNT e a FAI terem sido incapazes de, apenas por meio de suas forças, organizar ofensivas eficazes contra o Estado, em 1934 e julho de 1936, pode-se, entretanto, creditá-los de terem iniciado e reforçado a trajetória revolucionária dos operários espanhóis, que os conduziu, inevitavelmente, primeiro às Astúrias, depois à Guerra Civil. Notas 1. N.T.: Essa expressão foi criada pela esquerda espanhola para designar o período do governo direitista que assumiu o poder nas eleições de 1933. 2. A fonte fundamental sobre a história da I Internacional na Espanha é LORENZO, A. El Proletario Militante. Madri: Alianza, 1974. É o único testemunho detalhado disponível sobre o período 1868-1883. Existem ainda alguns estudos secundários que podem ser utilizados para a análise da questão: ABAD DE SANTILLÁN, D. Contribución a la historia del movimiento obrero espanol. Paebla: Cajica, 1962-1955, 2v.; BOOKCHIN, M. The spanish anarchists: the heroic years. Nova York: Harper & Row, 1977.; KAPLAN, E. Anarchists of Andalusia (1968-1903). S. l.: Princeton U. P., 1977.; NETTLAU, M. La 1re Internationale en Espagne. Dordrech: P.B., 1969.; TERMES, J. Anarquismo y sindicalismo en Espana. Barcelona: Ariel, 1972. 3. Sobre a introdução do anarco-sindicalismo na Espanha, ver: ROMERO-MAURA, J. Les origines de lanarcho-syndicalisme en Catalogne, 1900-1909. In: Anarchici e Anarchia nel mondo contemporaneo. Turim: Einaudi, 1969. 4. _________. The spanish case. In: JOLL, J., APTER, D. Anarchism today. Londres: Macmillan, 1971. Igualmente, BRADEMAS, J. Anarcosindicalismo y revolución en Espana, 1930-1937. Barcelona: Ariel, 1974. 5. Uma discussão interessante das reações anarquistas a respeito da Revolução Russa pode ser encontrada em MARTÍNEZ FRAILE, R. Comentarios a la Revolución Rusa aparecidos en Solidaridad Obrera durante el ano 1917. Cuadernos de historia econômica de Cataluna, v.12, p.146-83, 1974. Um relatório muito preciso do Congresso da Comédia em 1919 é dado em MEAKER, G. The revolutionary left in Spain. S. l.: Stanford U.P., 1974. p.233-48. O próprio Buenacasa deu um breve relatório dessa reunião. Veja-se BUENACASA. El movimiento obrero espanol 1886-1926. Gijón: Jucar, 1977. p.57-92. Em 1922, o gosto da CNT pelo Comintern e pelo Profintern (a Internacional Sindical Vermelha) desapareceu. No congresso de Saragosa em 1922, houve uma maioria esmagadora querendo que a CNT rompesse os laços com essas organizações e se filiasse, ao contrário, à Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT), pró-anarquista. 6. Sobre a história da FAI, ver as seguintes obras: El movimiento libertario espanol. Paris: Ruedo Ibérico, 1974.; El anarquismo ibérico/la FAI y la CNT. Espoir, Toulouse, v.870.; GÓMEZ CASA, J. La historia de la FAI. Madri: Zero, 1977.; PEIRATS, J. Anarchists in the Spanish Revolution. Detroid: Black & Red, s. d. p.237-48. Para uma diferente caracterização da FAI, ver a tese de FREDERICKS, S. The social & political thought of Federica Montseny. S. l.: Université de New Mexico, 1972. p156. Também o estudo: ELORZA, A. La utopía anarquista bajo la Segunda República. Madri: Ayuso, 1973. 7. Numa carta dirigida a Burnett Bolloten (jul. 1981), Frederica Montseny confirma este fato. Ela também fez referência a suas relações com a FAI em várias publicações. Também PONS, A. Converses amb Frederica Montseny. Barcelona: Laia. p.132. 8. BRADEMAS, op. cit., p.77. 9. Juan Garcia Oliver discute a formação e a função dos Comitês de Defesa na sua autobiografia: GARCIA OLIVER, J. El eco de los pasos. Paris: Ruedo Ibérico, 1978. p.118-37. Ricardo Sanz descreve a função dos Comitês pró-Presos em SANS, R. El sindicalismo y la política. Toulouse: s. n., 1966. p.157-76. 10. ACKELSBERG, M. The practice of anarchist revolution: the position of women in spanish anarchist collectives. Estudo inédito. p.7. 11. Nas suas memórias, Abad de Santillán avalia a mais de vinte mil a tiragem de Tierra y Liberdad, número muito elevado para o período, sobretudo no meio dos trabalhadores. Ver ABAD DE SANTILLÁN. Memorias, 1897-1936. Barcelona: Planeta, 1977. p.186. 12. Para uma discussão das idéias de Mella sobre a teoria da educação, ver MELLA. Cuestiones de ensenanza libertaria. Madri: Zero, 1979. É importante que se diga que Mella criticava as idéias sobre educação defendidas por Francisco Ferrer, talvez o mais conhecido dos pedagogos libertários espanhóis. 13. PAZ, A. Durruti: the people armed. Montreal: Black Rose, 1977. p.127. 14. GARCÍA OLIVER, op. cit., p.129. 15. Sobre a insurreição de Figols, ver FLORES, P. Las luchas sociales en el Alto Llobregat y Cardoner. Barcelona: s. n., 1981; GUZMAN, E. Cuando Figols proclamó el comunismo libertario. Tiempo de historia, Madrid, jan. 1976, p.48-57. 16. O melhor estudo sobre Casas Viejas é MINTZ, J. The anarchist in Casas Viejas. S. l.: Chicago U.P., 1982. Ver também alguns artigos interessantes: BREY, G. Casas Viejas: réformisme et anarchisme en Andalousie (1870-1933). Le mouvement social, n. 82, p.95-135, 1973.; ABELLA, R. Casas Viejas. Historia 16, n. 82, p.11-8, 1983. 17. Citado por JOLL, J. The anarchists. S. l.: Harvard U.P., 1982. p.232. 18. Pode-se encontrar um estudo aprofundado do movimento treintista na obra VEGA, E. El treintisme a Catalunya. Barcelona: 1980. Ver igualmente CENDÓN, B. La Confederación Nacional del Trabajo a la II República. RANÍREZ, M. (org.). Estudios sobre la II República espanola. Madri: Tecnos, 1975. 19. Sobre o papel de Maurín como sindicalista comunista, ver MEAKER, op. cit. Breve relato das atividades políticas e das idéias de Maurín são dadas em ESENWEIN, G. Joaquín Maurín Júlia. In: CORTADA, J. (edt.). Historical Dictionary of the spanish civil war. S. l.: Greenwood Press, ainda inédito. O melhor estudo sobre a Alianza Obrera é o de ALBA, V. La Alianza Obrera. Madri: Jucar, 1978. 20. PRESTON, P. Coming of the spanish civil war. Londres: Macmillan, 1978. p.114. 21. A literatura sobre o levante asturiano é muito vasta. Sobre o contexto tem-se SHUBERT, A. Hacía la Revolucion. Barcelona: Grijalbo, 1984. Dentre os melhores estudos sobre a própria insurreição tem-se: DÍAZ-NOSTY, B. La comuna asturiana: Revolución de 1934 en Asturias. Madri:, Zero, 1974.; GORSSI, M. La insurrección de Asturias. Barcelona: 1935.; SÁNCHEZ, J., SAUCO, G. La revolución de 1934 en Asturias. Madri: 1974. VILLAR, M. El anarquismo en la insurrección de octubre. Buenos Aires: s. l., 1936.
r tradução do francês* por Cristiane Nova * Este artigo L'anarchisme en Espagne au XXe siècle: syndicalisme de masse é o texto de uma conferência do congresso anual da American Historical Association. |
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